segunda-feira, 28 de abril de 2008

Esboços de 1982 deram origem a uma cartilha de saúde bucal.


Um estudo encomendado pela Dra. Elizabeth Yamasaki para transformar-se em estampas de camisetas a serem presenteadas à Dra. Julieta Taketomi Saito, em seu aniversário de 1982, deu origem a um personagem de história em quadrinhos: o Dente Belo.
O link abrirá o PROGRAMA PREVENÇÃO E QUALIDADE DE VIDA ATRAVÉS DO GIBI-SAÚDE da UNAMA: http://www.nead.unama.br/gibisaude/passos.html
É possível que haja mais desses desenhos por aí!


Joe Bennett: made in Belém City.

Joe Bennett é o Bené ou, José Benedito Nascimento: um grandalhão com pinta de super-herói desajeitado. Acima observamos um auto-cartoon feito à bic, sem nenhum "tratamento de prancheta", no balcão do Cosa Nostra. O Bené já tá na estrada desde 1985 e hoje é um dos pouquíssimos bambambãs da DC Comics.

Quando dávamos aulas no curso de Educação Artística - Artes Plásticas -, lá apareceu esse "rapazinho", que mal cabia na carteira, como aluno do Luciano Oliveira em Esboço Gráfico. O Luca nos chamou para observar a performance da "fera"; dava até medo de encarar um estudante assim, virtuose além de qualquer conta. Creio que por essas épocas ele fizera a ilustração de um projeto da dupla de arquitetos: Daniel Campbell e Mário Miranda, para um novo Ver-o-peso, que parece ter levado um prêmio. O Mário, ou o Bené, que me corrija(m), já que o Daniel está no céu.

O tempo passou e um dia ele foi dar uma palestra sobre HQ a convite do Jorge Eiró - estávamos em parceria - no auditório do Ateliê de Arte. O bom do discurso do Bené foi a "detonação" em cima do Mangá (que é japonês) feito por brasileiros. O papo fora interessante porque o estilo japonês de fazer quadrinhos não dá para ser imitado por quem não tenha nascido naquela cultura oriental. Nos aproveitamos do arrazoado proferido pelo nosso Joe Bennett, já que o Mangá é uma pedra no sapato dos que dão aulas práticas em cursos de arte: esse estereótipo, de "receitas infalíveis", atrapalha, em demasia, a percepção visual da galera que acredita dominar a figura humana e esse estudo não é tão banal assim.

Torcemos para que o bro. pegue uma seqüência do Batman e dê seu show. Melhor ainda seria um roteito adaptado à Belém do Pará: imaginemos que o Batman viria salvar seu melhor desenhador das garras de um político demagogo e facínora que o colocara em uma masmorra sem lápis e papel. Seria uma questão de vida ou morte, para o Batman, resgatar Bennett, senão suas histórias seriam um fiasco. A saga se passaria na Belém City, com o Batman desesperado à procura do Joe Bennett, que todos só conhecem por Bené; pois o político, por decreto, impediu o uso do seu pseudônimo em inglês. As cenas da história se dariam no Bar São Jorge, no Cosa, no Trânsito, no Maguari, enfim... Mas no final todos descobriríamos que os cúmplices do político seriam o P.P. Condurú e o J. A. T. Simões que, com a ajuda do Calibre e do Toninho Abenatar, prenderam o Bené no porão do Café Imaginário. Todavia, para a felicidade de todos, e da própria DC Comics, a Tika Sobral havia jogado um tijolo em um rato. Um dos cacos entrou por uma fresta e o poderoso Bennett ilustra toda essa história nas paredas úmidas daquele lúgubre cárcere. Só isso!

Ah! Pela última notícia que tivemos do Bené, ele estaria em São Francisco, nos EUA. Esperamos que ele lembre do açaí e de outras "cositas" mais: afinal, o Beto tem cara de vilão, mas ajudará o Batman em sua busca frenética!!! É a concorrência: "Cosa x Café"!!!

Um quadrinho de Elektra - da Marvel - usado, com o consentimento do Bené, em uma prova de Habilidade Específica da Universidade Federal do Pará - PSS 2006 -, realizada em novembro de 2005.



Dois presentes do Bené, aliás, três: o auto-cartoon também nos foi dado. Valeu Bené e boa imaginação!

Tem uma entrevista legal do Bené no Portal Cultura:
E, claro, o Blog do Joe Bennett:


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Chácara Bem-Bom é só fachada.

A chácara Bem-Bom, um retiro da época da borracha localizado às margens da estrada de ferro Belém-Bragança, atual avenida Almirante Barroso, desabou em junho de 1999. Nesse mesmo ano o prefeito Edmilson Rodrigues desapropriou o imóvel - toda a frente do terreno que se projeta à Almirante - e seu entorno próximo. O preço pago como indenização aos proprietários foi muito aquém do valor de mercado, o que os fez recorrer à justiça. Pelo que se vê nas imagens, de todo o entulho do desabe, nada foi aproveitado. Não houve cuidado algum com a memória patrimonial e sim a tomada de uma área nobre da Cidade por preço irrisório, justificada pela "preservação cultural" e "construção de um hospício".
Erro crasso se via na placa dessa obra: referia-se a Chácara Bem-Bom como Palacete Faciola. O Palacete Faciola tem outro endereço: Avenida Nazaré nº166, esquina com a Doutor Moraes. Se nem essa básica distinção houve, seria tolice acreditar que um projeto técnico fosse ao encontro da salvaguarda de um bem imensurável e obtivesse algum êxito.
O que efetivamente sobrou do Bem-Bom foram a fachada, os dois chafarizes laterais e uma soleira com ladrilhos hidráulicos que formam um desenho. Pelas fotos e vídeo vê-se que a imagem presente na soleira será ampliada e ocupará toda a área do piso do pavimento superior: uma síntese do nada preservado ou recuperado.
Na verdade munícipes e donos foram ludibriados: a Prefeitura Municipal de Belém induziu a opinião pública a acreditar em uma recuperação da Chácara Bem-Bom, mas, o que fez de fato: reservou um naco do enorme espaço que destinou ao "hospital psiquiátrico" para erigir um monumento estéril, que justificasse a apropriação indébita.
Há duas semanas, no final do mandato do prefeito Duciomar Costa, iniciou-se uma limpeza no local abandonado. Estamos de bubuia, só para ver em que bicho vai dar essa "finalização".
Ao contrário da febre das placas que marcou o governo petista, não há nenhuma informação pública que sinalize a futura utilização do Bem-Bom. O que é patente: reduziu-se a história de vida dos personagens que habitavam o lugar a dois salões inverossímeis.
O Bem-Bom parece (falta comprovar!) ter sido concebido com apenas um pavimento, a ampliação deu-se em outro momento, mais recente: o aditamento de um segundo andar comportara um corredor envidraçado e dois ou três quartos sobre a primeira e segunda salas (visitamos o lugar uns três anos antes do desmoronamento, mas não recordamos sua configuração exata).
Com o ruir só sobrou a fachada, que foi escorada para evitar acidentes com os passantes, contudo, nenhuma tecnologia parece ter sido eficaz em aprumar essa parede, já que a percebemos bastante inclinada à direita de quem a vê fontalmente.
Se alguém possuir imagens do Bem-Bom antes do desabamento ou das suas ruínas (antes da intervenção da PMB) mande para nós que as publicaremos.
O Bem-Bom fora uma chácara, portanto, a vegetação cercava a residência. Lá houvera um bosque projetado com árvores nativas e plantadas. Um dos argumentos técnicos do "processo de tombamento"* (anterior à desapropriação do Edmilson) que sempre atrapalhou as negociações da área, foi que o Bem-Bom se enquadraria, por suas características, no estilo Rocinha - típico do Pará e do Amazonas -, então, não se poderia dissociar a habitação do conjunto das plantas que cobriam o terreno.
Um sítio aprazível da Cidade transformou-se em uma caixa árida com a melancólica aparência de manicômio.
*Dispositivo cômodo à Prefeitura: desvaloriza o bem e mantém a cobrança do IPTU.
Imagens do telhado novo que hoje cobre o "Bem-Bom".
Montagem de duas fotos com pequena diferença angular que deforma visualmente o elemento vertical de ferro.
Essa escada e esse acesso não compuseram o Bem-Bom.

Vista angular buscando uma perspectiva de dois pontos: não há um terceiro ponto acima, é apenas a inclinação visivelmente gritante.


Imagem formada pelos ladrilhos na soleira do térreo, ela deverá ser reproduzida no piso do salão do pavimento superior. Na foto anterior dá para se ter uma idéia da preparação dessa estrutura receptora sobre o contrapiso, já com a presença dos moldes.
Fotos: Fachada inclinada no topo deste tópico: Ronaldo Moraes Rêgo. As demais: Haroldo Baleixe.
Videoclipe compacto do Bem-Bom, exclusivo do Blog:
Assista ao vídeo no Youtube:


Fotografias do Bem-Bom cedidas pela escritora Stella Pessôa, bisneta de Antônio Facióla:
( ( (Amplie-as com um clique!) ) )
Chácara Bem-Bom em 1916: Godiva, seu filho Antoninho e Antônio Faciola.
Chácara Bem-Bom em 1916: Antônio Facióla, seu filho Oscar, sua cunhada Godiva, sua filha Iná, sua esposa Servita, seu filho Edgar e a filha de Godiva: Violeta.
Interior do Bem-Bom em 1916: Edgar Facióla e figura ainda não identificada.
 
Interior do Bem-Bom em 1916: Edgar Facióla.
Antonio Faciola e seu filho Oscar.
Antoninho, Inah, Godiva, seu marido, Edgar e Violeta.

As duas última imagens foram acrescidas em 25/02/2010.

sábado, 19 de abril de 2008

Planta da cidade de Belém do Pará publicada em 1899.

Esta planta da cidade de Belém do Pará foi publicada em 1899 no "MDCCCXCIX AMAZONIA" (sic), ou "Album Descriptivo AMAZONICO 1899" (sic) de Arthur Caccavoni com tiragem de 1000 exemplares. É um álbum bilingue: em português e italiano, assim apresentado por seu autor: "Ao commercio da grande Amazonia, o poderoso motor da força e grandeza desta feracissima região brazileira e o principal istigador e patrocinador da publicação de propaganda. O Album Amazonico como prova de eterno reconhecimento e vasta admiração" (sic). Essa publicação, com 109 anos, que retrata o Pará e o Amazonas, é composta de descrições das políticas públicas dos dois estados, fotos de estabelcimentos comerciais e locais públicos e propagandas das mais diversas. A impressão foi feita em Gênova, Itália, por Fratelli Armanino



Imagem da Planta de Belém ajustada à imagem de satélite do Google Earth: posicionamento Norte/Sul, busca da proporcionalidade que aproxime as escalas dos dois mapas e definição de uma estrutura gráfica que ajude na superposição das duas imagens.


Superposições: Tucunduba/Largo de São Brás e Almirante/Chaco.

Superposição da estrada de ferro Belém-Bragança à atual Almirante Barroso (em verde): todas as vias coincidem. Referências: travessa do Chaco (em vermelho) e Bosque Rodrigues Alves.

Pelas informações do mapa (........traw de bitola estreita) haveria uma tranvia (tramway) que interligaria um porto do Tucunduba ao Largo de São Brás por bondes elétricos sobre trilhos de bitola estreita.

A Planta da Cidade de Belém, com a 1ª légua patrimonial demarcada, conhecida como "A Planta de 1905" pode ser vista em:

http://i47.photobucket.com/albums/f168/afonsofranca/Cpia2deDSC09785.jpg



sexta-feira, 18 de abril de 2008

Geociências da UFPA premiará logomarca vencedora.

Será no dia 25 de abril, próxima sexta-feira, a entrega do prêmio a Ronaldo Moraes Rêgo e Haroldo Baleixe, autores vencedores do concurso realizado pelo Intituto de Geociências da Universidade Federal do Pará para eleição de sua logomarca. Segundo o professor João Batista Ribeiro, coordenador do concurso, houve 19 (dezenove) propostas inscritas, sendo esta ecolhida por unanimidade pelos jurados: João Batista M. Ribeiro (Diretor-Adjunto do IG), José Souto Rosa Filho (Prof. da Faculdade de Oceanografia), José Geraldo das Virgens Alves (Diretor do IG), Midori Makino (Profa. da Faculdade de Meteorologia), Francisco Carlos Nascimento Batista (Funcionário Técnico-Administrativo do IG), Sílvio Rafael Macedo (Estudante de Graduação em Oceanografia) e Edison da Silva Farias (Prof. da Faculdade de Artes Visuais do ICA). A cerimônia de premiação será no auditório do Instituto de Geociência em reunião da Congregação do IG.
A imagem da logo está apresentada no formato marca d'água.

Outras logos idealizadas coletivamente:

PPD — Programa Paraense de Design: trabalho com o Jorge Eiró compondo a equipe.



Vencedores do 1º e 3º lugares do concurso à logo do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza.


1º e 2º lugares no concurso à logo do curso de Biomedicina da UFPA.



Proposta 01 ao concurso nacional para escolha da logomarca da Universidade Federal do Pará: concurso sem vencedor*.

Proposta 02 ao concurso nacional para escolha da logomarca da Universidade Federal do Pará: concurso sem vencedor*.
*O fato da UFPA não ter apontado sequer uma menção especial aos 806 inscritos causou constrangimentos à Instituição diante dos designers gráficos do país.
A logo foi definida de modo doméstico: um selo comemorativo contendo uma colagem de imagem do Google Earth simbolizou os 50 anos da Universidade Federal do Pará — já banida do site oficial pela datação e ausência de um notório autor premiado.
Notícia no "Design Informa" reproduz, de modo ipsis litteris, o que a UFPA publicou à época na Web:
"Concurso Logomarca da UFPA sem vencedor:
A Comissão Julgadora do Concurso Nacional para a criação da Logomarca UFPA, composta por Ana Pretuccelli, Edíson Farias, Fernanda Martins, Lívia Barbosa, Pedro Galvão, Rosenildo Franco e Valzeli Sampaio, reuniu-se nos dias 11, 13 e 27 de outubro de 2006, para avaliação dos 806 (oitocentos e seis) trabalhos inscritos no referido concurso provenientes de vários estados do país.
Após minucioso exame das peças concorrentes, observados os critérios de originalidade, adequação ao conceito, legibilidade, qualidade estética, viabilidade técnica e econômica, foi parecer unânime da Comissão que nenhum dos trabalhos apresentados atente integralmente as exigências do concurso, não tendo sido escolhido, portanto, a logomarca representante da UFPA, em consonância com o item 4.4 do Edital."

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A angústia do prelo.

Prelo, do latim prelu, é aquilo que espreme. É uma prensa manual para testes de impressão tipográfica. Por isso o termo: "está no prelo", que quer dizer que um livro está em fase de impressão, a caminho da publicação. Esse espremido que o prelo provocava - porque não mais se utiliza a engenhoca arcaica para essa finalidade - nas páginas dos livros, deveria ser igual à pressão que o autor de uma obra sente com a espera da noite de autógrafos: deve ser uma angústia danada, porque o livro é a noiva e ele quer vê-la antes de entrar na igreja! (Nesse caso pode, aliás, deve!)

Essa ansiedade de autor nos trouxe à memória o bro Augusto Sarmento, que escreveu em sua dissertação do mestrado em Direito da UFPA: Direitos Humanos e Egressos do Sistema Penal. Ele deve estar com o coração apertado - ou prensado - porque o seu livro lá está: no prelu - em latim porque advogado adora um latim!
Mas, como somos do bem, vamos dar uma palhinha só da capa que bolamos pro livro dele. Pelo menos aqui todos podemos dar aquele suspiro aliviado que se dá depois de um gol. Esse "charminho" da editora é necessário, até porque o prelo é um objeto elegante.
Chi! Será que é penal ou penitenciário? É brozão: haja coração para aguentar os vacilos e correções dos artistas!
Fotos: Haroldo Baleixe.
Arte da capa do livro: Haroldo Baleixe e Ronaldo Moraes Rêgo.

A marca chique da Livraria Maranhense.

Uma raridade que conseguimos digitalizar: a marca da Livraria Maranhense. O proprietário, Antônio Facióla - com acento agudo no "o" -, foi intendente municipal de Belém em 1929, quando comprou o relógio para a Praça dos Aliados (do Relógio), dizem, com o seu próprio dinheiro. Morava na esquina da Av. Nazaré com a Dr. Moraes, no Palacete Faciola - que há pouco foi desapropriado pelo Estado. Era acionista do Banco do Pará e da Cervejaria Paraense. Dono da maior coleção de Emile Gallé no Brasil, usava enormes anéis de brilhantes e passeava em seu Rolls-Royce ou Cadillac guiado por garboso chofer; o confundiam, em París e Viena, com os príncipes russos, mas...o mais importante de tudo: era um exímio pianista que integrou o corpo docente do embrionário conservatório de música, hoje Funfação Carlos Gomes. Seus comentários sobre os requintados espetáculos apresentados no Theatro da Paz geralmente eram transcritos por jornalistas que ao lado dele se sentavam para captá-los. Ele morreu em 1936, mas vamos investigar e postar mais informações, inclusive folclóricas, sobre essa figura; afinal, ele era "o cara"!
PS.: A chácara Bem-Bom, que fica na Av. Almirante Barroso entre Mauriti e Barão, erroneamente chamada de "Palacete Faciola", também era dele!


Banco do Pará: Rua Conselheiro João Alfredo.
Fábrica de Cerveja Paraense: Avenida Independência, defronte ao colégio Gentil Bittencourt. Duas vistas: interna e do Bar Paraense.
Praça do Relógio na década de 1940.
Antônio Facióla: amigo de Carlos Gomes e um exímio pianista:
"O conservatório, que se vinculou à historiografia musical do Pará por tão dignificante contribuição, ressurgiu em 1929, no Governo Eurico Valle, e com o apoio do então Intendente Municipal de Belém, Senador Antônio de Almeida Faciola, que havia integrado o seu corpo docente na arrancada inicial. Esse reaparecimento, teve nos maestros Ettore Bosio e José Domingues Brandão e professores Cincinato Ferreira de Sousa e João Pereira de Castro os seus mais vibrantes entusiastas, que tornaram realidade a magna ocorrência em solenidade, presidida pelo Governador do Estado, em 11 de julho de 1929, no Theatro da Paz." (http://www.fcg.pa.gov.br/iecg.htm)
Foto oficial de Antônio Facióla no Senado do Estado do Pará e Intendência Municipal 1929.

Revista Claudia de maio de 1977: Dona Iná Faciola, filha de Antônio Faciola, é a guardiã das muitas obras de arte compradas na Europa no período áureo da borracha.
( ( (Clique sobre as imagens para ampliá-las!) ) )
Leia mais sobre Antônio Facióla na Web:


___________________________________________
Um burro diante do palácio*

Basta uma casa velha ameaçar cair em Belém que a televisão transforma o fato em prioridade absoluta; enche a paciência dos espectadores com uns debates estapafúrdios entre autoridades e proprietários, pessoas comuns e intelectuais, que vão, quase todos e quase sempre, às teses acadêmicas, buscando nelas as razões puras que aticem a vaidade de um povo “dono” de um passado relativamente próximo e que se via venturoso com as coisas que só no Velho Mundo existiam.

Para evitar leviandades, o termo “casa velha” não será sinônimo do “casa antiga”. Muito menos do “velha casa” – esta seria a casa da vovó, ainda intacta na minha memória. Lá eu tirava o gogo das galinhas, apanhava abricó, tocava fogo no rabo do gato e comia a empregada. Esta foi ao chão faz tempo, não saiu nos jornais nem na televisão e ninguém morreu por isso – Ah, no lugar dela tem um “belo” edifício!

Esclarecemos ao leitor que Casa Velha é um ente físico que geralmente é deixado de lado por não cumprir a necessária relação de cumplicidade com o seu dono. É como o fim de um casamento, de um namoro, de uma amizade. Dói muito na alma, remói o estômago, mas o abandono é inevitável. Algumas vezes o deixado não se amargura tanto e “vai à luta”, malha pra cacete, pinta o cabelo, conserta os dentes, volta a fazer sucesso e acaba por arranjar outro alguém que lhe dê importância. Noutras o desamparo provoca a depressão, a angústia e o definho, que sem um tratamento específico e caro levará a inevitável morte.
Belém é uma cidade esplendorosa que tem um monte de casas velhas. Por que a Cidade Velha não é chamada de Cidade Antiga, Antiga Cidade ou Velha Cidade? Ora, porque ela é cheia de casas velhas!

É axiomático que as edificações que não correspondam mais às necessidades de seus moradores tenham que ser vendidas ou adaptadas às exigências prementes, caso contrário, tornar-se-ão obsoletas e dispendiosas, abandonáveis. À época da Hevea brasiliensis erigiram, por essas bandas, um bocado de coisa boa, bonita e cara. Uns casarões enormes com o pé direito entre cinco e seis metros. Essa imponência de palácio conjugada às técnicas de ventilação e iluminação resolvia o orgulho e o bem estar do dono. A figura da suíte já aparecia e os espaços contíguos captavam melhor a claridade diurna que pelas muitas janelas entrava. Os quartos, interligados por portas, abrigavam os numerosos e abastados membros das famílias. Os espaços eram generosos porque os agregados apareciam sem aviso, com um bilhetinho de apresentação em punho, e por lá iam ficando – com direito a casa, comida, roupa lavada e o colégio – até saírem formados, porque a educação fazia parte do pacote. Era o modus vivendi daqueles que mandavam até suas roupas íntimas serem lavadas em Paris, de lá também vinham os arranjos de flores que enfeitavam as fabulosas festanças. Dinheiro bom e sem cabresto. O látex era o suporte mor para o luxo e a excentricidade. Não havia “puta pobre”.

Só que a borracha perdeu o valor de diamante que vinha mantendo por alguns anos e o Estado e a Cidade foram-se a bancarrota. Tudo ruiu. De lá pra cá o mundo mudou de rota várias vezes até que miniaturizou suas manufaturas para que hoje convivamos, todos nós, com uma economia global virtualizada ou virtual globalizada. Mas isso não importa, ninguém sabe do que se trata mesmo. Neste instante a nossa moradia deve ser universal e suficientemente “segura” como os apartamentos, os apart-hoteis ou os condomínios fechados.
Da mesma forma que o tempo das tecnologias foi incrivelmente veloz para que elas provocassem em nós prazeres quase absolutos, o tempo das casas citadas acima estagnou-se e essas moradias ficaram desconectadas à essa nova realidade. E, se ainda levarmos em consideração os custos com IPTU; energia; empregados; segurança; infindáveis reparos de telhado, de assoalho, de estruturas internas e externas; pintura; zelo; etc. concluiremos o quão inviáveis elas se tornaram.

Prestes a levar um tombo, o palacete Faciola, ora em evidência suprema, é um exemplo cabal para ilustrar esta prosa: O cara que lá morava era provido abundantemente de dinheiro, cultura e poder. Levava uma vida de lorde e até confundido como um príncipe russo em Viena ele foi. Figura aristocrática como essa não há mais em Belém. Desde 1936 não se vê um Antônio Faciola com aqueles absurdos quatro anéis de brilhante no dedo anelar da mão direita sentado ao banco de trás do seu Rolls-Royce que sempre era conduzido por um garboso chauffeur com boné de aba transparente. O cidadão morreu e deixou sua herança aos filhos que a mantiveram até o limite de suas posses, precisamente até 1982 com o falecimento da Dona Inah. Temos aí um saldo positivo de 46 anos de cuidado absoluto com um patrimônio adquirido no tempo em que o dinheiro era capim. Esse balancete com incontestável superávit foi publicado na revista Cláudia do mês de maio de 1977: “Dona Inah Faciola (foto) e a coleção de obras deixadas por seu pai em 1936. Tudo comprado na Europa. Móveis, porcelanas, cristais, Gallés, Daums. Esculturas de Charpentier. Tudo carinhosamente guardado durante anos. Um verdadeiro museu da época em que a borracha era ouro”. Dona inah faleceu cinco anos depois dessa matéria e foi velada no Palacete – seu último instante de gardiã dos símbolos do passado generoso e glamouroso que ela vivera e era sabedora do seu impossível retorno. A “Cláudia” concluiu seu texto com uma análise pueril do palacete e fez sua previsão sensata: “Nenhum quadro triste. Nenhuma concessão à violência: em todas as peças de arte do Palacete Faciola só há flores, felicidade, amor. Desde 1936 nada é mudado de lugar. Até quando dona Inah poderá, sem ajuda, manter este tesouro?”. Até aqui o Palacete Faciola pode ser chamado de Casa Antiga, depois disso não mais.

Virando apenas mais duas casas velhas da Cidade, o Palacete Faciola e a Chácara Bem Bom sempre estiveram disponíveis àqueles que quisessem adquiri-las. De 1982 até o ano passado foram feitas ofertas irrecusáveis aos dois imóveis. Propostas que no bojo garantiriam empregos fixos à população, renda para a Cidade e o Estado e, o mais interessante, a restauração e a manutenção das propriedades. Não mais como moradias, mas com finalidades lucrativas para autosustentação – bancos, casas de chá, restaurantes, centros comerciais, supermercados, escolas, estacionamento, etc. Contudo, a areia governamental sempre foi o maior obstáculo para que os acertos fossem adiante. A mesquinharia de algumas autoridades, as especulações desequilibradas advindas da boataria permanentemente de vigília e a paranóia truculenta dos intelequitualóides marxistas, sempre impediram o andamento de toda e qualquer negociação. Um ranço impossível de haver na outrora biliardária Belém.

Coisas dessa natureza revelam o grande despeito dos políticos de hoje para com os de ontem e estabelecem a única verdade: Belém é falida desde o declínio da borracha e não merece mais comportar dentro de si uma arquitetura de gestos magnânimos que foi palco da sua própria história recente. O que o poder público fará com o Palacete? Irá restaurá-lo de forma apressada e incompetente como fez com uns poucos bens ou o deixará fossilizado para que em um futuro longínquo, quando Belém se recuperar da letargia histórico-cultural, ele possa se explicar, através das inúmeras placas de propaganda que o rodearão, aos arqueólogos. A Chácara Bem Bom da antiga ferrovia Belém-Bragança prova que isso não é uma viagem insólita nossa: essa chácara, após seu desmoronamento, foi desapropriada pela Prefeitura Municipal de Belém que pagou por ela um preço muito aquém de seu valor – isso está sendo questionado na justiça pelos herdeiros.

Com todo o dito já se faz possível perceber que o Palacete Faciola nem uma casa velha consegue ser. É ele hoje uma Casa Morta que carece de sepulcro o mais breve possível. É uma habitação que não aguenta mais as humilhações que lhe foram impingidas e o desrespeito a história dos seus apaixonados senhores. Foi ela abandonada pelos sucessores desses, ficou a mercê das intenções de investimento da iniciativa privada e por fim, foi vítima do jogo de poder e da sabotagem promovidos por autoridades que a fizeram definhar até o ápice de sua desvalorização, isso, com o premeditado e sórdido propósito de comprá-la por preço vil. O mais justo é deixá-la morrer em paz e construir sobre ela um “belissímo” monumento à era da fortuna, à era do brilho, à era que todos parecem ter necessidade de esquecer, porque, de tão próspera que foi, jamais se repetirá pelas mãos dos homenzinhos da atualidade. Quem gozou da oportunidade de vê-la reluzente e conviver com os seus, a terá sempre na memória, e jamais será mais "um burro diante de um palácio"!.

01 de setembro de 2000.

Haroldo Baleixe
*Texto publicado na revista eletrônica Belém do Pará sob o título "Um burro olhando para o Palacete Faciola".
Oscar Faciola: carnaval de 1916.  talvez no (folclórico*) Rolls-Royce 1915 de Antônio Facióla, seu pai, com chauffeur e umas "gatinhas" da época.
Carta de Antônio Facióla ao seu filho Oscar, datada de 17 de setembro de 1921. Clique na imagem e leia seu conteúdo: Antônio Facióla desenha a política econômica de Epitácio Pessôa como nociva ao Pará.
Carta de Antonio Faciola ao seu filho Oscar, datada de 14 de novembro de 1921: Nas duas missivas há referências ao "Marco" (da légua) como sinônimo da chácara "Bem-Bom": "paraíso". Essa chácara, após o desabamento da edificação, foi desapropriada pelo prefeito Edmilson Rodrigues para a construção de um hospital psiquiátrico. É aquilo que se vê na Almirante Barroso, entre a Mauriti e a Barão: uma fachada assustadoramente fora de nível com uma obra inacabada por trás. Tudo plenamente pichado!

*Há um folclore citadino que Antônio Faciola possuía um Rolls Royce; até o início da década de 1980 o povo acreditava que ele estivesse guardado na garagem do Palacete, mas lá só havia um Bel Air da década de 1950, de sua filha Inah.
Antônio, quando Intendente de Belém, entre 1929/30, foi presenteado, pelo Alto Comando do Comércio, com um Cadillac.


Ronaldo e Dina na direção da FAU/UFPA.


Ronaldo Carvalho e Dina Oliveira venceram; com 55,2% dos votos; a eleição para diretor e vice-diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) do Instituto de Tecnologia (ITEC) da Universidade Federal do Pará.
Foto: Haroldo Baleixe





quarta-feira, 16 de abril de 2008

Ronaldo Moraes Rêgo: Memória Pictórica de 1978 a 2008.


Registro de pinturas a óleo, acrílicas e aquarelas do artista plástico paraense Ronaldo Moraes Rêgo feitas entre os anos de 1978 e 2008 — 30 anos de trabalho.

Mais do artista no Youtube:


Belém do Pará: Truculência no Boteco das Onze!

Vídeo de Priscilla Brasil postado no Youtube como "breves e livres reflexões [depois de domingo]". O material audiovisual tem causado polêmica por ser um flagrante da ação inapropriada de Comissários do Juizado da Infância e da Adolescância que, às 19 horas do dia 30 de março de 2008 - um domingo -, constrangeram clientes do Boteco das Onze Janelas, em Belém do Pará, sem motivo legal, tendo um deles batido na câmera que capturou as imagens. Assistam ao vídeo e postem suas opiniões no próprio Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=eAnYLQKJWIs.