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sábado, 29 de maio de 2010

"Sem fôlego, traz a bombinha!":

Sem fôlego, traz a bombinha!
Por Xico Sá
Blog HB
Não há mais dúvidas: quanto mais beira o verossímil, com gritos lancinantes na noite, como assimilamos do cinema, mais fingido é o tal do orgasmo. Nunca é condizente com a nossa performance e suor. Os melhores e mais recompensadores orgasmos guardam o bom preceito da educação dos gemidos. Um clássico!
Por mais megalomaníaco que seja Vossa Senhoria, recomendo que não acredite naquelas algazarras, feiras amorosas, sacolões do sexo, capazes de fazer os vizinhos pularem da cama só de inveja. Aquela gritaria toda, meu amigo, só vale para provocar um problema dos mais graves. Deixará o casal que mora do outro lado da parede em pé de guerra, uma vez que a mulher, atenta à lição de gozo comparado, vai exigir mais, muito mais, mais e mais, e mais um pouquinho ainda, do seu colega de prédio ou de rua.
E o pior é que os gritos só costumam ocorrer quando o gozo não passa de truque, melodrama de fêmea, como canta a deusa La Lupe no filme “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”: “Teatro, lo tuyo es puro teatro/ falsedad bien ensayada/ estudiado simulacro/ fue tu mejor actuación/ destrozar mi corazón!”
O gozo desesperado costuma ter origens variadas (falar nisso, por que ninguém cita mais W. Reich, meu ídolo da lira dos 20 anos?!). O gozo desesperado, falava este locutor que vos sopra a nuca, costuma ser resultado de algum curso mal digerido de teatro amador, de formação em escola com viés jesuíta, interpretação errada dos manuais do Actors Studio, dietas à base de alcachofra, audiências tardias das onomatopéias do Led Zeppelin ou falta de homem propriamente dita.
As melhores gazelas educam cedo os gemidos. Em vez de gritos que parecem mais apropriados para momentos de sequestro-relâmpago, a boa moça sussurra e balbucia safadezas no cangote do amado. Mais vale um bem dito dos 3 mil verbetes catalogados no Dicionário do Palavrão, do mestre Mário Souto Maior, do que os decibéis selvagens.
As melhores não se desesperam. Já imaginou Ava Gardner em desespero? Nem com Frank Sinatra, a quem enlouqueceu todos os sentidos. E não me venha dizer que isso seja frigidez, frescura ou algo da linha. Fina!
Até a Amy Winehouse, a bela garota suburbana de Southgate, sabe disso. Mesmo depois do seu coquetel preferido – ecstasy, vodka, cocaína e remédio para cavalo – é capaz de um orgasmo educadíssimo. Deve apenas morder um pouco, óbvio, pois sem dentadas, como já dizia o titio Nelson, não há amor. Sim, as que só mordem e tudo calam, nada falam… são as melhores! Vixe, como diria meu professor de ídiche.
Uma coisa é a gritaria, quase um SOS, incêndio em um edifício em chamas ou algum sinistro urbano do gênero. Outra é a gemedeira gostosa, fungada sentida, sacanagem nas oiças, fogo nas entranhas, calor na bacurinha, quase um decassílabo a cada descida, lirismo sem fôlego, a gostosa e inadiável asma do amor, me falta o fôlego, ave!, traz a bombinha!

& MODINHAS DE Fêmea
Com vocês, Ismael Silva, em um dos seus clássicos: “A mulher é um jogo difícil de acertar/ E o homem, como bobo, nunca deixa de jogar./O que eu posso fazer é, se você jurar, /Me arriscar a perder (ou dessa vez então ganhar).

Fale com o Xico Sá.
Material enviado pela colaboradora Ana Margarida Camargo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Belém do Pará: ônibus Zeppelin e Lotação.


Década de 1940: Avenida Presidente Vargas em mão dupla. Ônibus Zeppelin, provavelmente colorizado na foto.


Década de 1960: Avenida Presidente Vargas em mão dupla, trânsito organizado pelo "sinaleiro" da Polícia Militar.
Ônibus Lotação.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Belém do Pará: LIFE — abril de 1957.

Em dezembro do ano passado fizemos duas postagens motivados por e-mails recebidos:
1.
Belém do Pará: curiosos ônibus da década de 1950.
2. Jaime Bibas e os ônibus-zepelins de Belém do Pará.
As duas trataram dos ônibus com formato de dirigíveis, ou zepelins, que circularam em Belém na década de 1950.
O Blog dos Carros Antigos, que tem foco em automotivos do passado, complementou uma postagem sua:
Viação Triunfo, Belém do Pará, 1957,
aproveitando as fotos e parte do texto que o Jaime Bibas nos enviou. Do mesmo modo que nos beneficiou com uma foto exclusiva lá postada, citando o Museu Virtual do Transporte Urbano.
O Nikollas Ramos, gerenciador do Carros Antigos, digitalizou o seu exemplar do jornal carioca O GLOBO de 10 de dezembro de 2008 para que ampliássemos nossas ilustrações a partir da
Viação Triunfo e os ônibus Zeppelin do Pará.

Página inteira de O GLOBO, ampliável, digitalizada pelo Nik do Carros Antigos.

Fotografia digitalizada em pormenor pelo Nikollas: ampliável para melhor visualização.

Caçar imagens para um acervo visual público nos excita. O mundo é menos chato quando se tem figurinhas para colecionar e trocar. Por isso fomos atrás do acervo fotográfico da revista americana LIFE — concitador da curiosidade por esse passado da Belém dos zepelins.
Encontramos a tão sonhada “mina”:
http://images.google.com/hosted/life, mas o garimpo deu-nos poucas e nanicas pepitas do ano de 1957, que aqui postaremos com os seus respectivos links:

Locomotiva na Estaçao Ferroviária do Entroncamento.

Link para acesso direto à LIFE:

(http://images.google.com/hosted/life/l?imgurl=e3d349ea790947d1&q=Bel%C3%A9m%20Brazil%201957%20source:life&prev=/images%3Fq%3DBel%25C3%25A9m%2BBrazil%2B1957%2Bsource:life%26hl%3Dpt-BR)

Chegada das canoas no Ver-o-peso.


Link de acesso direto à LIFE:

(http://images.google.com/hosted/life/l?imgurl=715e8fc53614afc3&q=Bel%C3%A9m%20Brazil%201957%20source:life&prev=/images%3Fq%3DBel%25C3%25A9m%2BBrazil%2B1957%2Bsource:life%26hl%3Dpt-BR)

Um "zepelim" trafegando pela molhada São Jerônimo esquina com Alcindo Cacela.

Link de acesso direto à LIFE:

(http://images.google.com/hosted/life/l?imgurl=65defeb33de9baee&q=Bel%C3%A9m%20Brazil%201957%20source:life&prev=/images%3Fq%3DBel%25C3%25A9m%2BBrazil%2B1957%2Bsource:life%26hl%3Dpt-BR)

Tudo OK até agora? É possível seguir nossos passos?
Se pesquisarmos na LIFE “Belem, Brazil, 1957” só haverá as três ocorrências aqui postadas, todas creditadas a Dmitri Kessel*, no mesmo mês de abril, típico de chuvas; o que nos faz crer que: o mesmo fotógrafo registrou as imagens freqüentemente divulgadas na Internet, sempre, e apenas, da viação Triunfo. As da viação Sul Americana, publicadas no livro Cidade Transitiva de Armando Mendes (acervo de Carlos Rocque); supõe-se: foram feitas por outro retratista, em época e circunstâncias distintas. Senão vejamos:
A descrição da LIFE para o primeiro cromo, em tradução livre, poderia ser “queimando lenha na Estação de Belém para pegar o trilho da Belém-Bragança”. Confiável, não?
A da segunda foto, também em tradução livre, “um bando de veleiros no porto de Belém”, no caso o imediatamente reconhecível: Ver-o-peso. Sem problemas, certo?.
Já a legenda do “zepelim”, apesar de suscitar poucas dúvidas na tradução, nos deixa três perguntas para fazer à frase “o único dirigível da ‘viação Triunfo’ funcionando em Belém”: Era o único da Triunfo naquele dia em especial? Era o único do modelo dirigível em funcionamento? Era o único porque, sui generes, a Triunfo operava com um só veículo (“dirigível”) e merecia destaque? Era o único porque os outros já se tinham ido à (cidade de) Manaus e à (cidade de) São Luís?

Essas dúvidas serão dirimidas pelos comentaristas que dominam o inglês e os guardiões da documentação histórica de Belém. Melhor seria se tivéssemos mais e melhores "figurinhas". Contudo, mesmo na falta de evidências, apostaríamos que a LIFE chegou tarde demais para registrar os exclusivos zepelins e perseguiu o último Triunfo pela Cidade, dando-lhe destaque ao ineditismo, principal valor de uma obra de arte.

De volta ao “Tesouro Aberto”, como O GLOBO se referiu aos arquivos imagéticos da LIFE, buscamos “Belem, Brazil” e obtivemos 12 resultados, incluindo os já mencionados e aqui discutidos.
Oito fotografias são de 1943 tiradas por Thomas D. Mcavoy e uma, isolada, de 1940, feita por Hart Presto, com ponto de vista na Baía do Guajará, focando o Forte do Castelo e seu entorno. Essa, mesmo fora de contexto, e, parecendo diletantismo de viajante, vai aqui postada:


Baía do Guajará em 1940: Hart Presto, de um navio, capturava o Forte do Castelo.

As dose fotos de dito “livre acesso” são enganosas porque a LIFE disponibiliza o material em baixa resolução, cobrando dólares nas “encomendas” com qualidade.
A LIFE/GOOGLE é um mostruário, um catálogo comercial que não ajuda em nada os internautas quinhoístas; ao contrário, canaliza a originalidade da memória preservada aos veículos de comunicação endinheirados, como foi o caso do jornal carioca, que deve ter desembolsado significativos dólares, para publicar com exclusividade, a foto inédita do já morto Dmitri Kessel.
Agradecemos ao Nikollas Ramos do Blog Carros Antigos que, na contra-mão da sovinice da revista LIFE, não mediu esforços para propiciar acesso às imagens publicadas em O GLOBO, com boa resolução na Web. A divulgação de reproduções virtuais de estampas de interesse cultural público deveria ser prática solidária e habitual na Rede Mundial de Computadores; dando aos originais reais e datados, o valor imensurável que possuem: tanto pelo simples mérito, quanto pela genialidade de seus autores — aí sim, que se pague caro, pela qualidade física, o resgate; e absolutamente nada pelo direito do uso de uma mera cópia.


*Dmitri Kessel estava com 55 anos quando fez as fotos de Belém. Russo ucraniano imigrou com 21 anos para os Estados Unidos. Correspondente de guerra e fotografo de combate, não voltaria com as mãos abanando à revista LIFE — bem montou a cena para registrar o que lhe havia mandado o magazine estadunidense.

Postscriptum em 19 de janeiro de 2009 (como resposta aos comentários):

“Como é o caso da foto do Zep na rodoviária ou posto de gasolina, não sei ao certo.” (Nickollas Ramos)
“Acho Haroldo, sem ter muita certeza disso, que a *cobertura modernosa* que se vê na foto, é uma parte de um *clipper* de ônibus que havia por ali.” (jaime Bibas)

O comentário do Jaime Bibas suprime a dúvida do Nickollas Ramos e a imagem abaixo, uma das que compõem o álbum "Belém do Pará: fotos do início da década de 1970.", ratifica o dito do Bibas. Nessa visão aérea do Ver-o-peso nota-se que há três "'clipper' de ônibus" circunvizinhos que permaneceram de pé, pelo menos, até o início da década de 1970:

domingo, 7 de dezembro de 2008

Belém do Pará: curiosos ônibus da década de 1950.

Um e-mail recebido pelo Blolg HB e suas imagens anexadas formam este post:
Blog HB.
"Vejam que relíquia de nossa Cidade na década de 50. A foto do ônibus em forma de zeppelin que só existia aqui em Belém. Na segunda foto aparece ainda uma carrocinha de distribuição de leite, usada pelos donos de vacarias, geralmente portugueses, para distribuir o produto de casa em casa, em garrafas (litros) de vidro deixadas nas janelas das residências, antes do alvorecer e no início da tarde.
Alguém reconhece a rua da segunda foto
?". (Mauro Guimarães)

Imagens ampliáveis por clique!

Rua da segunda foto: Governador José Malcher esquina com a Alcindo Cacela (informação dada por Jaime Bibas).