Em dezembro do ano passado fizemos duas postagens motivados por e-mails recebidos:
1. Belém do Pará: curiosos ônibus da década de 1950.2. Jaime Bibas e os ônibus-zepelins de Belém do Pará.As duas trataram dos ônibus com formato de dirigíveis, ou zepelins, que circularam em Belém na década de 1950.
O Blog dos Carros Antigos, que tem foco em automotivos do passado, complementou uma postagem sua: Viação Triunfo, Belém do Pará, 1957,
aproveitando as fotos e parte do texto que o Jaime Bibas nos enviou. Do mesmo modo que nos beneficiou com uma foto exclusiva lá postada, citando o Museu Virtual do Transporte Urbano.
O Nikollas Ramos, gerenciador do Carros Antigos, digitalizou o seu exemplar do jornal carioca O GLOBO de 10 de dezembro de 2008 para que ampliássemos nossas ilustrações a partir da Viação Triunfo e os ônibus Zeppelin do Pará.
Página inteira de O GLOBO, ampliável, digitalizada pelo Nik do Carros Antigos.
Fotografia digitalizada em pormenor pelo Nikollas: ampliável para melhor visualização.
Caçar imagens para um acervo visual público nos excita. O mundo é menos chato quando se tem figurinhas para colecionar e trocar. Por isso fomos atrás do acervo fotográfico da revista americana LIFE — concitador da curiosidade por esse passado da Belém dos zepelins.
Encontramos a tão sonhada “mina”: http://images.google.com/hosted/life, mas o garimpo deu-nos poucas e nanicas pepitas do ano de 1957, que aqui postaremos com os seus respectivos links:
Locomotiva na Estaçao Ferroviária do Entroncamento.
Link para acesso direto à LIFE:
(http://images.google.com/hosted/life/l?imgurl=e3d349ea790947d1&q=Bel%C3%A9m%20Brazil%201957%20source:life&prev=/images%3Fq%3DBel%25C3%25A9m%2BBrazil%2B1957%2Bsource:life%26hl%3Dpt-BR)
Chegada das canoas no Ver-o-peso.
Link de acesso direto à LIFE:
(http://images.google.com/hosted/life/l?imgurl=715e8fc53614afc3&q=Bel%C3%A9m%20Brazil%201957%20source:life&prev=/images%3Fq%3DBel%25C3%25A9m%2BBrazil%2B1957%2Bsource:life%26hl%3Dpt-BR)
Um "zepelim" trafegando pela molhada São Jerônimo esquina com Alcindo Cacela.
Link de acesso direto à LIFE:
(http://images.google.com/hosted/life/l?imgurl=65defeb33de9baee&q=Bel%C3%A9m%20Brazil%201957%20source:life&prev=/images%3Fq%3DBel%25C3%25A9m%2BBrazil%2B1957%2Bsource:life%26hl%3Dpt-BR)
Tudo OK até agora? É possível seguir nossos passos?
Se pesquisarmos na LIFE “Belem, Brazil, 1957” só haverá as três ocorrências aqui postadas, todas creditadas a Dmitri Kessel*, no mesmo mês de abril, típico de chuvas; o que nos faz crer que: o mesmo fotógrafo registrou as imagens freqüentemente divulgadas na Internet, sempre, e apenas, da viação Triunfo. As da viação Sul Americana, publicadas no livro Cidade Transitiva de Armando Mendes (acervo de Carlos Rocque); supõe-se: foram feitas por outro retratista, em época e circunstâncias distintas. Senão vejamos:
A descrição da LIFE para o primeiro cromo, em tradução livre, poderia ser “queimando lenha na Estação de Belém para pegar o trilho da Belém-Bragança”. Confiável, não?
A da segunda foto, também em tradução livre, “um bando de veleiros no porto de Belém”, no caso o imediatamente reconhecível: Ver-o-peso. Sem problemas, certo?.
Já a legenda do “zepelim”, apesar de suscitar poucas dúvidas na tradução, nos deixa três perguntas para fazer à frase “o único dirigível da ‘viação Triunfo’ funcionando em Belém”: Era o único da Triunfo naquele dia em especial? Era o único do modelo dirigível em funcionamento? Era o único porque, sui generes, a Triunfo operava com um só veículo (“dirigível”) e merecia destaque? Era o único porque os outros já se tinham ido à (cidade de) Manaus e à (cidade de) São Luís?
Essas dúvidas serão dirimidas pelos comentaristas que dominam o inglês e os guardiões da documentação histórica de Belém. Melhor seria se tivéssemos mais e melhores "figurinhas". Contudo, mesmo na falta de evidências, apostaríamos que a LIFE chegou tarde demais para registrar os exclusivos zepelins e perseguiu o último Triunfo pela Cidade, dando-lhe destaque ao ineditismo, principal valor de uma obra de arte.
De volta ao “Tesouro Aberto”, como O GLOBO se referiu aos arquivos imagéticos da LIFE, buscamos “Belem, Brazil” e obtivemos 12 resultados, incluindo os já mencionados e aqui discutidos.
Oito fotografias são de 1943 tiradas por Thomas D. Mcavoy e uma, isolada, de 1940, feita por Hart Presto, com ponto de vista na Baía do Guajará, focando o Forte do Castelo e seu entorno. Essa, mesmo fora de contexto, e, parecendo diletantismo de viajante, vai aqui postada:

Baía do Guajará em 1940: Hart Presto, de um navio, capturava o Forte do Castelo.
As dose fotos de dito “livre acesso” são enganosas porque a LIFE disponibiliza o material em baixa resolução, cobrando dólares nas “encomendas” com qualidade.
A LIFE/GOOGLE é um mostruário, um catálogo comercial que não ajuda em nada os internautas quinhoístas; ao contrário, canaliza a originalidade da memória preservada aos veículos de comunicação endinheirados, como foi o caso do jornal carioca, que deve ter desembolsado significativos dólares, para publicar com exclusividade, a foto inédita do já morto Dmitri Kessel.
Agradecemos ao Nikollas Ramos do Blog Carros Antigos que, na contra-mão da sovinice da revista LIFE, não mediu esforços para propiciar acesso às imagens publicadas em O GLOBO, com boa resolução na Web. A divulgação de reproduções virtuais de estampas de interesse cultural público deveria ser prática solidária e habitual na Rede Mundial de Computadores; dando aos originais reais e datados, o valor imensurável que possuem: tanto pelo simples mérito, quanto pela genialidade de seus autores — aí sim, que se pague caro, pela qualidade física, o resgate; e absolutamente nada pelo direito do uso de uma mera cópia.
*Dmitri Kessel estava com 55 anos quando fez as fotos de Belém. Russo ucraniano imigrou com 21 anos para os Estados Unidos. Correspondente de guerra e fotografo de combate, não voltaria com as mãos abanando à revista LIFE — bem montou a cena para registrar o que lhe havia mandado o magazine estadunidense.
Postscriptum em 19 de janeiro de 2009 (como resposta aos comentários):
“Como é o caso da foto do Zep na rodoviária ou posto de gasolina, não sei ao certo.” (Nickollas Ramos)
“Acho Haroldo, sem ter muita certeza disso, que a *cobertura modernosa* que se vê na foto, é uma parte de um *clipper* de ônibus que havia por ali.” (jaime Bibas)
O comentário do Jaime Bibas suprime a dúvida do Nickollas Ramos e a imagem abaixo, uma das que compõem o álbum "Belém do Pará: fotos do início da década de 1970.", ratifica o dito do Bibas. Nessa visão aérea do Ver-o-peso nota-se que há três "'clipper' de ônibus" circunvizinhos que permaneceram de pé, pelo menos, até o início da década de 1970:
